Hoje precisei sentir tua presença, passei meus olhos sorrateiramente pelo espaço que compõe meu quarto, mas tu não estavas lá. Não me conformei, sentia tua falta. Sempre senti. Meu coração batia apressado, teu perfume preenchia meu quarto. Então chorei.
Queria parar de chorar, era inevitável. A necessidade enfim era maior que o controle que eu tinha do meu corpo. Eu ouvia o doce som de tua voz, parecia que tu cantavas para mim, teu canto era tal qual o das sereias.
Nunca necessitei tanto de ti, e não estavas lá tu para me acolher em teus braços e me tranqüilizar. Eu me assemelhava a um recém-nascido que chora ao menor sinal de abandono.
Parecia eu febril, tendo alucinações. Pois de um clarão tu aparecia e a tua luz me envolvia, então era eu teu escravo e senhora minha, eras tu. Já não a queria mais, entretanto meu coração não me ouvia.
Indubitavelmente estava eu em conflito. Ambos os sentimentos, Amor e Ódio, se digladiavam. Aquele porque te queria mais do que eu necessitava respirar, este porque tu nunca estiveras aqui.
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