Toda história pode ter um recomeço, uma nova chance de acontecer e tornar-se uma sucessão de grandes acontecimentos.
Todo amor verdadeiro necessita ser vivido, tantas e quantas vezes forem possíveis.
A ausência de mim nela aconteceu. Não espera que pudesse acontecer, mas assim foi. Algum tempo se passou até que a reaproximação pudesse acontecer.
A muito não ficava na rua, em grupo. Meus amigos se foram, seguiram caminhos diferentes e estão tão distantes que às vezes penso que não os tive de verdade. Mas hoje estava diferente, não sei se era real, mas estávamos conversando de novo, reunidos no lugar de sempre.
Isto me faz recordar os inúmeros momentos que passamos ali, entre as brincadeiras e assuntos “sérios” que nos motivava. Das várias vezes que a tive tão próximo de mim e não estendi as mãos para trazê-la à minha vida.
Talvez tudo o que eu escreva se torne confuso, sem sentido ou desconexo. Então dê crédito apenas às coisas que lhe favorecerem. Não quero te convencer das minhas loucuras, apenas dar-lhes conhecimento delas.
Por um instante, me tornei alheio ao assunto do grupo a que estava contido. E vinha você a se aproximar de nós, de mim. Nova oportunidade surgia, em meus olhos o brilho emanado do coração, em meus lábios o sorriso do reencontro.
Estendi minha mão a você, com um gesto suave e cheio de carinho. Você me olhou com um olhar de incompreensão, não me detive e murmurei:
- Venha...
Não sei se movida por desejo próprio ou por minha apelação se encaminhou em minha direção, conduzida por minhas mãos que a tomavam com tal desvelo.
Ela me sorriu, e senti meu coração acelerar, as batidas tornaram-se mais rápidas. Também sorri, enquanto aproximava meu rosto do dela.
Esta semana li no blog do Paulo Coelho: “faz parte da arte de viver, não barganhar com a oportunidade.” Senti que naquele momento me era dada uma nova oportunidade, uma chance de fazer tudo diferente.
Conduzido por tamanho desejo e loucura, mas contido por minhas reservas toquei-lhe os lábios e fui retribuído com o mesmo carinho. Neste momento, o tempo parou e nada mais existia entre nós. Nem o passado era capaz de conduzir-nos a ruptura.
Dizem que quando beijamos nosso grande amor, ouvimos o som dos sinos. Neste momento, ouvi o coro dos anjos ao som dos sinos. Acho que é um bom sinal ouvir o canto dos anjos.
O ideal seria que os anjos nunca parassem de cantar e que os sinos não parassem de ressoar. Mas enfim, tudo tem um término. Mas, isso não impede um recomeço.
Não sei o que aconteceu após este fato, não tenho memórias disto. Para mim tudo parou naquele momento, e nada mais teve, ou terá importância até que com ela esteja eu novamente.
Pois aí está. Estamos nós, Ela e Eu, novamente próximos, talvez agora com algum propósito em comum. Palavras de amor são ditas por mim, enquanto acaricio suas mãos. Ela deixa-se envolver, meu coração se liga ao dela e uma atmosfera de amor nos envolve. Seu rosto me é atraente e tudo o que eu quero é estar ao seu lado, o máximo de tempo possível, sem sufocá-la.
Costumo dizer que às coisas nunca são fáceis para mim. Tem-se sempre que haver um bom obstáculo, algo que me faça ferver, me sentir incapaz. Este momento chegou.
Inoportunamente, um entregador se aproxima de nós. Quebrando todo o clima que se havia construído, para mim parecia que uma bomba iria explodir. Um pacote é entregue, dentro deste uma mensagem digital, que devo reconhecer, era fascinante. Extremamente, de bom gosto e que comoveria qualquer um. Uma mensagem de amor, cujo remetente se encontrava a poucos metros de nós.
Ela ficou atordoada, não sabia o que fazer. Mas sabia que queria fazer algo. Ao descobri o remetente se deslocou com tamanho alvoroço em direção ao rapaz.
Este se encontrava em uma loja, com mais quatro amigos visíveis à distância. Ela chegou à porta e por leitura labial pude compreender que este a chamava, pedindo que ela entrasse e o seguisse para um cômodo mais ao fundo. Não pude ver ou ouvir o que ela disse. Entretanto, um dos que se encontrava lá disse:
- Ela está com alguém.
Ouvi o comentário sarcástico do remetente:
- Seja lá quem for se tornará corno agora.
Neste momento, alguém que não estava visível a princípio se dirigiu à porta enquanto comentava:
- Ele de novo. Irá fazê-lo sofrer.
Este último, meu amigo é, nosso amigo é. Sabia do passado e temia o futuro.
Novamente, as palavras dela não puderam ser ouvidas por mim.
Entretanto, meu coração parava, eu suava frio. Sentia como se meu sangue fosse 90% de cacos de vidro que percorriam minhas veias e artérias. Contraia meus músculos e minhas veias tornavam-se aparentes. De minha face despontavam lágrimas, que percorriam cada centímetro de meu rosto, que já havia perdido a vivacidade.
Pude ouvir algumas palavras, estas dividiam meu sofrimento.
- Você já ficou com quantos este mês?
- Eu não sou mais assim, estou fazendo a coisa certa.
Eu havia me encolhido, me tornado recluso ao meu sofrer. Senti que braços me aconchegavam me devolvendo a vida que outrora escorria pelo ralo.
Abri os olhos e eis que era ela. Em seus braços tive a proteção e o amor que necessitava.
- Eu te Amo! Ela me dizia.
Minha floresta escura e densa dava lugar ao jardim florido e repleto de luz, enquanto caminhávamos a esmo de mãos dados e de corações entrelaçados.
Tomei-a pela cintura e a beijei, enquanto juras de amor, murmurava.
Mais uma vez os Sinos tocaram e os anjos entoaram uma canção.
Fim.