quinta-feira, 23 de abril de 2009

ainda amo essa muleka. Vai entender, né?

A noite já ia alta, as trevas avançavam lentamente. A lua permanecia altiva, olhando para nós lá de cima. Em meio tanta escuridão ver a luz refletida pela lua é fascinante. Pensei, por um breve instante, sobre o amor sem limites existente entre o Sol e a Lua, que estão sempre distantes, enquanto um está à leste o outro está à oeste, entretanto, quando se encontram são capazes de tornar o dia em noite.

Tomei por hábito vagar à noite, como um felino me esgueirava sobre os telhados das casas vizinhas. Não ia longe, mas tinha destino certo.

A brisa suave da noite tocava meu rosto. Por uma janela entreaberta via-se a face angélica do amor sendo acariciada pela luz emanada pela lua. Fitando-a, meus lábios se abriam em um sorriso. Mas não havia malícia em meu semblante, o que eu sentia era imaculado, verdadeiro e belo.

Não era a primeira vez que velava seu sono, mas era a primeira vez que sentia acelerar meu coração, que era possível escutá-lo bater tão forte.

O tempo havia passado rápido, a lua já se despedia e ia aos poucos dando lugar ao seu amado amante Sol. Não me detive, tornei à casa driblando os mesmos obstáculos da ida e com a mesma leveza e agilidade.

Até o presente momento nenhum contato havia sido feito. Todas as emoções que cresciam em meu peito juvenil eram mantidas em segredo, mas é claro que não pensava em mantê-las assim por muito tempo.

Não sabia o que fazer ou como agir. Era a primeira vez que amava. Eu amava!!!

Fui a papelaria, comprei cartões e neles haviam estampados, quase que em alto-relevo, corações, rosas e anjinhos. Eu havia tido uma idéia. Talvez não a melhor das idéias, mas eu precisava fazer algo, agir.

A noite se aproximava e eu já tinha pronto o meu primeiro cartão, a minha primeira mensagem para a minha Princesa.

Os dias são amenos, mas não me agrado deles
Como posso eu gostar dos momentos
Em que longe de ti me encontro
Eu prefiro as noites,
Porque mesmo em meio às trevas
Permitem que eu vislumbre a sua beleza
Queria eu que todos fossem dormir, que as horas se apressassem, para que pudesse eu correr pelos telhados alheios e me deparar à janela de Fernanda, assim chamava-se ela.
F – e – r – n – a – n – d - a, soletrei.
Ah, esqueci de mencionar. Pus na carta um Pós Scriptum e nele indicava um local, local este em que ela poderia deixar cartas para mim. E assim poderíamos ter uma comunicação bidirecional.
Tique-taque fazia o relógio na parede da sala. Eu contava os minutos.
Aos poucos todos iam seguindo o seu rumo, cada qual se preparando para dormir e ter bons sonhos, enquanto eu me preparava para sonhar acordado.
Enfim todos se recolheram, eu precisava ter certeza de que todos estavam dormindo realmente. Então aguardei mais uma hora até que pude sair. Dirigi-me ao último andar da casa. E como na noite anterior, andei pelos telhados até o meu destino.
Pousei no mesmo ponto da noite anterior. Estava de frente para a janela. Hoje, seu sono estava mais atribulado, ela rolava na cama. Então ainda sonolenta sentou-se à beira da cama e olhou pela janela. Não tenho certeza se ela me viu com exatidão, a ponto de me reconhecer, pois ainda estava sonolenta. Mas com certeza teria visto um vulto ágil sumir por cima de um telhado a sua frente.
Não fui embora, fiquei por perto em um ponto em que eu pudesse vê-la, mas que ela não pudesse me ver. Vi quando ela se retirou do quarto e aproveitando a oportunidade corri até a janela e pus a carta sobre a cama. Tornei ao murro e tratei de ficar escondido para poder observar a reação dela.
Ela já estava no quarto novamente, não havia percebido a carta até que se deitou sobre ela e pode senti-la roçar em suas costas. Ficou surpresa a encontrar o envelope. Olhou para fora procurando o emissor, mas não foi possível encontrá-lo. Então abriu o envelope, tomou em sua mão o cartão e o leu. Deixou escapar um sorriso ingênuo, como aquele que soltamos quando recebemos um abraço, inesperado, de um amigo.
Senti-me satisfeito com o sorriso dela, deu-me novo fôlego, nova vida. Senti que havia esperança. Fui para casa contente com o que tinha visto.
Dormi e tive excelentes sonhos. Eu estava amando, e era uma experiência inenarrável. Dormi como uma criança que ganha um presente muito cobiçado.
Durante o dia seguinte, por várias vezes tive vontade de ir à laje dela (local indicado no pós scriptum) para verificar se havia alguma carta para mim, mas não podia eu andar pelos telhados em plena luz do dia, era necessário aguardar a noite cair.
Enquanto aguardava comecei a preparar o próximo cartão.
Perdi-me pelos caminhos da vida
Mas meu lugar já encontrei
Se tivesse que fazer tudo de novo
Assim seria
Pois não há outro alguém
Por quem me perderia
Dessa vez a noite parecia ter chegado mais rápida como se atendesse aos meus desejos. Quando já não se podia ouvir mais barulho na casa e na rua, saí.
Tomei os devidos cuidados para não ser visto e me aproximei da casa de Fernanda. Cuidadosamente desci sobre a laje da casa e como era de se esperar havia um bilhete. Eu havia levado uma lanterna comigo, era um acessório necessário a quem anda a noite.
O bilhete escrito com letras bem desenhadas e por mãos suaves e delicadas tinha como conteúdo as seguintes linhas.
Adorei o poema.
Quem é você? Eu gostaria de saber.
E porque deixar recado para você em cima da minha casa
Por acaso você é o homem-aranha?
Eu pensei em responder as perguntas dela logo, já. Mas para isso eu teria que acrescentar mais algumas linhas a carta já escrita, o que não era possível, pois eu havia deixado em casa a caneta.
Achei engraçado à referência ao homem-aranha. Mas adorei saber que ela tinha gostado do meu poema, que era apenas um amontoado de palavras que tentavam expressar os meus sentimentos.
Aproveitando que já estava próximo da janela dela, e notando-a dormindo, deixei a minha segunda carta. Não resisti à proximidade e entrei pela janela, fiquei alguns instantes perto da cama dela, a observar seu rosto de expressões suaves. Senti-me imensamente feliz em poder estar tão próximo dela.
Vocês não sabem, mas ela estuda comigo, somos da mesma turma. Ela nunca percebeu que eu a amava. Eu sempre ficava a fitá-la. Seus olhos são lindos, cativantes. Ela é capaz de transformar as pessoas. Com sua voz doce e meiga, com seu jeitinho de princesinha, com seus mimos.
Ah, se ela soubesse que sou eu aquele que anônimo que deixa cartas/poemas para ela, quem sabe ela não me notava.
Era o terceiro dia. Até agora tudo tinha corrido bem. Acordei bem disposto, animado. O dia foi fluindo naturalmente. Eu a amava cada dia mais, e mais, e mais. O amor parecia crescer dentro do meu peito.
Precisava responder os questionamentos da Fernanda. E me prontifiquei a fazê-lo neste momento. Talvez, não devesse eu escrever uma poesia junto com as respostas. Talvez fosse melhor escrever poesia no dia seguinte. E assim foi.
A carta de hoje iria apenas com as respostas.
- Quem eu sou?
Ah, não sei se devo te contar. O importante é você saber que eu digo a verdade. Eu te amo! E acho mais prudente você só ficar sabendo daqui um tempo, mas garanto que não será um tempo muito grande.
- Se eu sou o homem-aranha?
Não, nem poderia. Eu não fui picado por nenhuma aranha alterada geneticamente.
- Por que deixar as cartas no telhado?
Porque é mais fácil de eu pegar, e assim você só me verá quando for a hora certa.

Eu te amo!
E assim foi por duas semanas, eu mandava poemas e ela me enchia de perguntas. Eu ficava feliz, pois pelo menos ela se interessava pelos meus sentimentos, tinha curiosidade sobre mim. E talvez me amasse também.
Na primeira segunda-feira depois dessas duas semanas, eu resolvi que deveria contar a ela quem eu era e me declarar pessoalmente. Preparei uma última carta. Mas está eu queria entregar em mãos.
Nós estudávamos de manhã. Era ruim acordar cedo, ainda mais para quem ia sempre dormir tarde, muito tarde. Mas era a melhor coisa do mundo poder ver a minha Princesa dormindo como um anjo.
Quando eu saia no portão, avistei na esquina a Fernanda. Era a minha oportunidade, eu só precisava andar rápido. Segui-a até próximo a escola. Quando faltavam poucos metros para o portão da escola eu a abordei, dando a carta na mão dela. Ela ficou confusa. Pois o envelope era igualzinho ao que ela recebia nas cartas à noite.
Ela parou e me olhou assustada. Tirou do envelope o cartão e leu:
Não conseguia mais guardar segredo dos meus sentimentos precisava te dizer quem eu sou e o que eu sinto assim frete a frente.


É verdade que te amo
Não brinco quando falo de amor
Sou de todo sincero
Amante fiel
Sou capaz de matar ou morrer
Pra conquistar o paraíso
Que só existe em teus braços

Eu te Amo, Fernanda
Ela ficou atordoada. Olhou-me novamente e não sabia o que fazer.
- Você?
Ela disse. E sem olhar para os lados foi para o meio da rua, olhei nos olhos e ela chorava. Eu não entendia, mas também não era hora para entender. Um caminhão se aproximava dela em velocidade relativamente alta. Não pensei duas vezes, entrei na frente do caminhão e a empurrei para longe das ruas, diretamente para a calçada. O motorista não conseguiu frear e eu não consegui sair da frente dele.
Graças a Deus não nenhuma fratura grave. Naquele momento eu estava bem protegido. Mas fui obrigado há ficar uma semana internado. Havia sido um atropelamento feio apesar de não ter me vitimado.
Esperei piamente, durante três dos sete dias, a visita de Fernanda, mas ela não foi. Então desisti de esperar, apesar de muito pensar nela. Quando acordado sua voz chegava aos meus ouvidos, quando dormindo sua face angélica vinha me procurar.
Ao quinto dia de internação ela apareceu. Disse que queria conversar comigo. Senti que não seriam boas as coisas que ela queria me dizer. Eu parecia pressentir.
Falamo-nos por longos trinta minutos, longos? Sim, longos. Ela me agradeceu por ter salvado a vida dela, que eu tinha sido muito corajoso, mas que ela não me amava e blá blá blá.
Eu me recuperei rápido do atropelamento, mas ainda amo essa muleka. Vai entender, né?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eu & Ela - Um Amor Confuso

Ouço uma voz feminina a me chamar... Tinha eu acabado de acordar... Mas não podia eu confundir a voz do meu amor. Não A fui atender, eu ainda estava sonolento, impedido de raciocinar, o que dizer a Ela...?

Para minha mãe eu ainda estava dormindo, e isso foi dito a Ela. Mas eu não A queria por perto de mim, eu estava enfermo perto dEla, como dizia cazuza em sua música "Todo mundo tem um ponto fraco, Você é o meu, por quê não?", e era/é ela o meu ponto fraco, meu pedaço de Criptonita, não há dúvidas para mim.

Quando pela segunda vez me chamou, eu A atendi. Eu estava a almoçar. Mas esse momento não poderia ser adiado, teria que ser agora, já. Fui até o portão. Abri-o e Ela estava lá, vindo em minha direção com os olhos baixos e um sorriso, receoso, nos lábios.

Ela estava linda, sou suspeito, né?

Mas uma vez podia vê-LA tão próxima como nos sonhos, seu andar cauteloso, seu sorriso e jeito de muleka, levada, atraente, cativante, e seus olhos de menina, tímida... Ahhh seus olhos. Lembro-me deles de outrora. Nunca hei de esquecê-los, eles ainda eram os mesmos da menina que recebeu um pedido de namoro diferente... De um menino tímido, mas que de amor estava em chamas. Lembro-me desse pedido, nunca o esqueci apesar dos insucessos desse romance.

Há alguns anos, Ela lia um livro cujo nome não me lembro, sua capa tinha um tom rosa, e se não me engano, meninas na capa. Nós estávamos muito próximos àquela época. Parecíamos estar nos conhecendo naquele momento, naquele ano. Fiquei eu com o livro um dia, a título de terminar de ler um capítulo que havia iniciado eu a leitura. Há esse tempo, nós vivíamos no auditório da escola em que estudávamos, acho que haveria a apresentação de algumas peças ensaiadas pelos alunos de nossas turmas. Com o livro em minhas mãos, em casa, li novamente alguns trechos do capítulo e selecionei um parágrafo, contido na página 58, do qual só me lembro às últimas palavras:

"[...] gostaria de te conhecer melhor."

Essas palavras não são muitas, podem não fazer sentido para muitos, mas foram suficientes para que nós nos entendêssemos e soubéssemos que queríamos estar juntos. Embora que por algum tempo tivéssemos tido a oportunidade de estarmos próximos e carinhosos um com o outro. O namoro não foi à frente. Um ano depois desses acontecimentos, certo dia indo eu na escola em que estudamos juntos, e que ela estava fazendo o último ano, dizia Ela a uma amiga, mencionando-me:

-Ele não tem história.

Não faz sentido pra vocês, né?... Ela queria dizer que eu não fiz parte da vida dela, ou seja, fui parte dispensável de sua trajetória de vida. Acho que todos estavam errados ao dizer que ela gostava de mim. O Amor dEla nunca foi verdade.

Voltando ao dia de Hoje, Ela me fez um pedido, o qual eu tive que negar. Embora, quisesse eu esquecer tudo o que passou nos últimos dias, não pude. Por mais que eu quisesse envolvê-la em meus braços, me lembrava dEla dizendo:

- você deve seguir um caminho diferente do meu.

Eu havia aceitado essa opção, afinal, era a única que eu tinha. Mas ainda não entendo como é tão fácil para Ela esquecer o que me disse e vir como se nada tivesse acontecido me pedir um favor.Estou confuso, encolhido sobre a cama, chorando, ainda não sei por que, Por quê?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O que S-I-N-T-O ?!?!?

Não há tempo que possa acabar com os sentimentos sublimes e verdadeiros.

Ainda não tenho certeza de nada, e não quero eu decidir o que é certo ou errado. Se penso em ti e se é verdade que pensas em mim, que te divirto mesmo quando penso estar te importunando, ainda não te perdi.

Se sob meu olhar, que procura em ti amor estremece, seus passos tornam-se acelerados como as batidas do seu coração. Tu me amas e apenas não se deu conta disso.

Se em ti busco certezas que sozinhas parecem dúvidas o que é isso que sinto? É querer tudo quando nada se tem, é buscar carinho quando abandonado estás. É não querer estar só mesmo quando já passaste a maior parte do tempo assim.

sábado, 11 de abril de 2009

Deus estava comigo

Depois de ouvir as piores coisas do mundo, de sentir morrer cada célula que compõe meu corpo fui dormir, pois já não havia motivo para permanecer acordado. Não havia mais o que esperar, eu ainda sentia o gosto amargo do veneno destilado em minha boca e aos poucos atingindo meu coração, que se fragmentava.

Verti uma lágrima de puro sangue e entendi que naquele momento as minhas incertezas tornavam-se certezas, que a minha procura havia acabado... tragicamente.

Parecia eu dormir sobre uma cama de pregos que perfuravam meu corpo culminando em dores inexplicáveis. Nunca me senti assim, mas como dizem sempre há uma primeira vez.

Acordei, era por volta das nove horas. Minha cabeça latejava, meus olhos comprimiam-se diante da claridade que entrava pela janela, mas uma vez chorei e não havia alegria em meu choro.

Repassei o que havia acontecido na noite anterior, e tentava identificar o que era real dentre os inúmeros acontecimentos que atormentaram meu sono. Passei algum tempo concentrado nessa tarefa.

Como de costume arrumei minha cama, me dirigi ao banheiro a fim de tomar um banho. Liguei o chuveiro, a água estava morna, fechei meus olhos e enquanto a água tocava meu corpo travava eu uma guerra interior (Sentimentos X Razão). Meu coração depois de tudo ainda queria pensar na dama que despedaçou meu coração, mas minha cabeça desembainhava sua espada e lutava veementemente quanto essa necessidade do meu coração.

Ainda aturdido saí de casa e me dirigi à praia do Arpoador. Procurava eu um pouco de sossego, e o contato com a natureza talvez me ajudasse. Praia do Arpoador, lugar lindo e sossegado, onde o mar beija a praia carinhosamente. É magnífico.

Logo que cheguei ao meu destino, fui atraído pelas águas claras do mar do Arpoador. Caminhei com passos apressados em direção a elas, quando já podia sentir as águas tocarem meus pés, reduzi minha ansiedade. E caminhei vagarosamente para dentro do mar. A confusão que antes havia na minha cabeça deu lugar a uma única certeza: a Morte.

Desejava eu ser engolido pelas águas, fazer parar a dor que me incomodava. Já com as águas no pescoço, tive a oportunidade de repensar tais medidas drásticas, entretanto, não mudei de idéia. Dei mais três passos, já me encontrava sob as águas e fui içado por uma força estranha. Acho que não existiam explicações lógicas para tal ocorrido. Tentei novamente, e novamente, e assim fiz dezenas de vezes e em todas elas o mar me negava o direito do afogamento. Fui arremessado pelas ondas na areia.

Chorei, mas desta vez não sabia por que chorava, somente necessitava chorar, limpar a alma das perturbações.

Senti um vento soprar em meu ouvido algumas palavras, e me peguei a olhar para as pedras que contam a história da praia do Arpoador. Calculei uns quinze metros de altura, altura considerável não acha? Não hesitei, subi as pedras e cheguei ao topo, lá pude sentir a brisa marítima acariciar minha face, e pude sentir uma ligação íntima com Deus. Sentia-me capaz de voar.

- TÊM UMA CRIANÇA NA ÁGUA, PRÓXIMO AS PEDRAS!!!

Ali, com certeza, não era um bom lugar para uma criança de aproximadamente sete anos estar. Neste ponto, as pedras dividem as praias e elas são o marco limite entre a praia do Arpoador e a praia do Diabo.

- CADÊ O SALVA-VIDAS???

Gritava um dos banhistas que se encontravam no alto da pedra. Todos estavam muito aflitos.

Percebi que pedra e água se digladiavam incessantemente, a água avançava sobre as pedras com uma fúria imensa enquanto as pedras se mantinham rígidas em sua defesa. Mais uma vez senti o vento murmurar em meu ouvido algumas palavras, desta vez pude compreendê-las.

- Vá! Não tema. Eu te acompanharei por toda a eternidade.

Eu tinha dúvidas, mas estava cheio de paz.

Olhei para o mar furioso próximo as pedras e avistei a menina sendo levada para lá. Eu sabia que ela não resistiria ao choque com as pedras. Depois de compreender a fragilidade da vida, do tanto que Deus nos proporciona e nós tolos, rejeitamos. Atirei-me ao mar.

Eu plainava no ar, me senti como um pássaro a dar vôos rasantes. Aproximava-me da água, mas não tinha medo do impacto entre a massa do meu corpo e água.

Minutos atrás queria eu me afogar, acabar com minhas dúvidas e incertezas. E agora, estava eu nadando vigorosamente quanto à correnteza para salvar a vida de um ser indefeso.

Deus estava comigo e tudo daria certo. Eu passara a ter está certeza.

PS.: A menina? Está viva e aprendeu a não se distanciar dos pais. Eu? Aprendi que não devo desejar a própria morte e é claro nem a morte de outrem.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Em Conflito

Hoje precisei sentir tua presença, passei meus olhos sorrateiramente pelo espaço que compõe meu quarto, mas tu não estavas lá. Não me conformei, sentia tua falta. Sempre senti. Meu coração batia apressado, teu perfume preenchia meu quarto. Então chorei.

Queria parar de chorar, era inevitável. A necessidade enfim era maior que o controle que eu tinha do meu corpo. Eu ouvia o doce som de tua voz, parecia que tu cantavas para mim, teu canto era tal qual o das sereias.

Nunca necessitei tanto de ti, e não estavas lá tu para me acolher em teus braços e me tranqüilizar. Eu me assemelhava a um recém-nascido que chora ao menor sinal de abandono.

Parecia eu febril, tendo alucinações. Pois de um clarão tu aparecia e a tua luz me envolvia, então era eu teu escravo e senhora minha, eras tu. Já não a queria mais, entretanto meu coração não me ouvia.

Indubitavelmente estava eu em conflito. Ambos os sentimentos, Amor e Ódio, se digladiavam. Aquele porque te queria mais do que eu necessitava respirar, este porque tu nunca estiveras aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Não! À indiferença

Não me considero um cara muito popular, talvez porque eu, verdadeiramente, não o seja. E também por que ninguém fica andando para um lado e para o outro atrás de mim pedindo opiniões ou querendo conversar. Pensa que eu ligo pra isso? Se você respondeu SIM, você está...hum...ERRADO!
O fato de eu não ser popular não me irrita e nem fico pensando nisso. Nem sei porque comecei a escrever sobre isso.
Ah! Sim, acho que agora começa a fazer sentido pra mim. E pra você? Não?
Aguarde e confie.
Pode não parecer, mas eu estou querendo falar de AMOR, mesmo que a princípio não pareça. Se você for paciente logo compreenderá.
Tenho um grande amigo. Você não acredita? Ah, pára! Todo mundo tem grandes amigos e eu não sou exceção.
Bom, estava eu conversando com ele outro dia sobre o modo que as mulheres tem agido com os homens.
Vocês do sexo feminino tem generalizado o caráter masculino. Não é porque 10 entre 10 homens traem que todos irão trair, eu mesmo sou exceção a essa regra que vocês impõe. Digo: Eu tenho princípios!!!
Focando no ponto alto: o AMOR. A mulher que sempre achou homem bicho burro e insensível, hoje também o é. Calam gente, não estou dizendo que ELAS são burras e sim que estão com o coração amargurado. Antes, ELAS se preocupavam em demonstrar amor, carinho, mostrar que estavam presente. Hoje, tanto faz, e nós homens, sinceros e românticos, sofremos a pena.
Homens, como nós românticos, gostamos de demonstrar nosso amor, e somos capazes de loucuras por esse sentimento motivador da vida. Pois, bem se sabe que o ser humano só vive por duas coisas: por amor ou por ódio.
Eu, humildemente, peço em nome dos românticos, loucos e apaixonados que vocês (senhoras dos nossos corações) tenham compaixão dessas pobre almas que vagam a esmo a espera de uma simples jura de amor, de uma retribuição ao amor dedicado e verdadeiro.
Sei que o amor não pede nada em troca, ele entra em nossas casas sem pedir licença, faz morada em nossos corações e ficamos contentes com o nosso próprio fim. Desde que este nos leve a desfrutar o máximo o sentimento nobre que se intensifica a cada lembrança do ser magnífico que és tu.

-Eu Te Amo!!!
Quando ouvir essas palavras de um homem apaixonado. Retribua se em verdade também o sente.

domingo, 5 de abril de 2009

Conto de Fadas

Ela se aproximava, pelo seu semblante parecia estar contente em me encontrar.
Passava em minha cabeça o dia em que encontrei com ela próximo ao ponto de ônibus, ela atravessou a rua em minha direção, naquele instante eu gelei. Vários pensamentos disputavam o controle da minha mente. Me limitei a lhe fazer um cumprimento. A atitude que optei por tomar me pertubou o resto do dia.
Com o advento da Internet, tudo ficou mais fácil, mais viável. Dispondo de um programa de conversação por mensagens instantâneas, no dia seguinte ao nosso encontro conversamos sobre o ocorrido. Ela me disse que não havia me visto e que se eu não tivesse tomado a iniciativa de falar com ela, provavelmente ela teria me atropelado. Eu discordei da afirmação dela é claro, e aleguei que se ela tivesse passado tão próximo assim de mim eu a teria segurado. Não era novidade para ela que eu a amava. Ela deu a intender que havia corado, talvez eu não devesse andar por aí fazendo esse tipo de comentário.
Talvez não só eu estivesse pensando nessa conversa, mas ela também, pois seus braços já me convidavam à um abraço. (rsrs)
A dois passos dela, olhei-a nos olhos e pude ver amor e tudo o que eu queria era sentir o calor do seu corpo, o doce sabor dos seus lábios, que nunca beijei. Segurei meu desejo, dominei minha vontade e passei ao seu lado como se nada me pertubasse. Não andei mais que 30 ou 40 centímetros, voltei-me para ela que me olhava. seu semblante de outrora havia dado lugar a perplexidade. Sorri.
Eu estava apenas querendo ver a reação da jovem, que tanto me desiquilibra, e confirmar minhas suspeitas. Ela me desejava tanto quanto eu a desejava. Como podia ela me amar, se jurava estar afim de outro, eu deveria estar louco por estar supondo tal absurdo.
Tornei a caminhar, mas agora em direção a Ela, que me olhava sem compreender, ou compreendia até mais do que eu. Agarrei-a pela cintura, trouxe-a para próximo do meu corpo, sua pela na minha pele. A temperatura se elevava a cada instante, aproximei meu rosto do dela, toquei seus lábios com os meus suavimente, como se pedisse permisão. permissão pra que? Senti seu corpo tremer em meus braços, levei minha boca ao pé de seu ouvido e lhe destilei um beijo seguido de uma jura de amor.
Sua respiração tornavasse mais rápida, parecia fatigada. Acariciando seu rosto tornei a beijá-la, agora com mais entusiamo. Ela murmurou alguma coisa, coisa esta que eu não ouvi. Não houve recusa ao beijo, suponho que fosse desejo seu também. Enquanto nos beijavamos, é nós nos beijavamos sim, ela retribuia a cada manifestação de afeto. Tentei por várias vezes lhe falar do amor que sentia, mas minhas frases não faziam sentido. Eu não a queria soltar e ela não queria que eu a solta-se.
juntos, contrariano a lei da física que define que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, continuavamos a trocar beijos cálidos.
Aquela história de que quando você encontra o grande amor da sua vida e ao beijá-lo podesse ouvir sinos tocando é a mais pura verdade. Os sinos tocavam. E eu me perdia no encanto da minha Princesa.
TRIMMMMMMMMM
Era o relógio a despertar sentenciando o fim do conto de fadas e início da realidade. Quisera eu que fosse realidade, mas nem tudo na vida é perfeito.

Apresentação

Olá pessoal, eu sou ... deixa isso pra lá.

Não quero me apegar a simples formalidade. Quem eu sou ou serei não é tão importante quanto o que eu escrevo, escrevia ou escreverei.
Decidi montar um blog pois a alguns dias me peguei agarrado em idéias, tantas que não conseguia acompanhar nenhuma delas. Então para facilitar a minha vida decidi escrever.
Cogitei a possibilidade de fazer informação, de externar pensamentos, idéias,
sonhos. Pôr na rede o que me intriga e talvez, quem sabe, contar a minha vida através de textos breves, de contos.
Hoje nada é impossível!!!
E é por isso que vou escrever o que eu quero, como quero e na hora que eu quizer. O Livre Arbítrio!