terça-feira, 21 de julho de 2009

o Monólogo que virou Diálogo

A noite, como as outras tantas que já se passaram, és bela e em sua totalidade consta de um tom azul-mar que embala meu sonhos e me faz navegar pelos pensamentos mais internos, buscar em meu interior soluções para as quais não há respostas certas ou erradas. A vida se forma de constantes bifurcações, caminhos que levam ao extremo de uma vida, veredas que não levam a lugar nenhum.

Posto que já cresci e as preocupações se multiplicam tão rápido que nem mesmo consigo acompanhar. As perguntas são muitas, as hipóteses centenas ou, até mesmo, milhares, as respostas não chegam e tudo o que me limito a fazer é viver do monólogo que se tornara esta noite.

É insano pensar que talvez as respostas, as certezas para as minhas dúvidas, pudessem ser encontradas. E mais louco ainda seria se esta que me ilumina o rosto fosse a minha conselheira. Talvez, minha imaginação seja muito fértil e esteja eu a ouvir coisas, não é possível que a Lua possa me responder e nem tão pouco me ouvir.

Meus olhos a fitar o horizonte a procura do nada, ao longe estrelas que brilham incessantemente. A minha expressão é de desorientação, em meu coração pairam incertezas, em meu peito flutua insegurança.

- O que deveras será de mim, oh Lua? Não sei para onde vou e às vezes me pergunto de onde venho.

Sei que essa é uma pergunta ponto autêntica, é... Pode até ser. Mas não são essas as minhas verdadeira dúvidas. Sabe quando você não consegue imaginar por onde começar uma conversa? Pois é, eu me encontrava nessa situação. Mesmo sabendo que não poderia esperar respostas, um retorno se quer da tão bela Lua.

Olhando-a e tirando de sobre ela o véu que nos impede de enxergar sua sabedoria, proferi.

[Eu] - muitos hoje devem estar a ti fitar, vários a te questionar. Não queria eu ser mais um, apenas. Queria eu contar-te a minha vida, não esperando que você pudesse me propor soluções, simplificar o meu problema ou até mesmo resolvê-lo.

[Lua] - Estou disposta a te ouvir, e não pense que será apenas mais um. Você é um dos poucos que puderam me ouvir, me ver, que acreditará em minhas palavras e que não temerá a loucura .

[Eu] - Em verdade, acredito eu estar ficando louco.

[Ela] - Mas não o estas. Vim porque me chamaste,vim porque sua causa é nobre.

[Eu] - Como minha causa pode ser nobre? Sou um egoísta, quero falar de mim, do meu amor.

[Ela] - E por isso eu vim. O amor é uma das causas mais nobres do mundo. Poucos são o que amam de verdade. Minoria são aqueles que Nascem, Vivem e Morrem por amor.

[Eu] - Já que assim és, não tardarei a contar-te a minha insegurança, palavra e sentimento que vem atordoando meus pensamentos. A vida parece sempre seguir seu rumo e como os rios correndo sempre para o mesmo lugar. Cá estou receoso de perder um sentimento que não me pertence, que ainda nem meu és.

[Ela] - Não queiras tu apressar a vida, os acontecimentos tem dia e hora para acontecerem. Não tenhas medo do que há por vir.

[Eu] - Como posso não temer? Como posso não me sentir frágil?
Meus sentimentos são verdadeiros, tu bem o sabes. Mas a espera corrói e mata, e eu tenho medo que isso aconteça, não comigo, pois sou um sobrevivente. Mas tenho medo que o tempo mate antes mesmo que venha a nascer um sentimento que não virá de mim, mas que poderá ser dirigido a mim.


[Ela] - O tempo é teu guia, ele te impedirá de cometer os erros que temes, mas somente tu poderá vencer a barreira da insegurança e se manter firme em seus objetivos. O que ao teu destino cabe não lhe será suprimido e antes que possa pensar em desistir este te sobrevirá.

[Eu] - Posto que és sábia, eu vencerei meus medos, enfrentarei minhas limitações e serei paciente com o tempo, comigo e com a minha amada. Mas é difícil manter o coração acima dos medos da perda, uma vez que, no coração dela ainda existe o sentimento de amor direcionado aquele que tanto bem a fez. Mas sou consciente de que não é o meu amor que estar em jogo, e sim o amor dela. Não sofro por que o amor dela não é meu, sofro por que seu coração quebrou e o amor que tanto a fez bem agora não mais o faz.

[Ela] -Mas uma vez provaste o teu valor e o teu amor. Agora, jovem meu, não temas a vida. Continue a lutar por tudo aquilo que acreditas, não pense em mudar o seu jeito de pensar ou agir pelos outros. Teu coração é nobre, tuas atitudes provam isso.

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